domingo, maio 01, 2011

Capítulo VI - Da alegria ao tédio


Foi incrivel como aqueles dois dias passaram tão rápido. Acordei na manhã de domingo. O voo saía às 16h. Ainda tinha um tempinho para curtir a Annie.
- Bom dia, filho. - ouvi minha mãe dizer enquanto levantava para tomar café.
- Bom dia. Para os dois.
- Durmiu bem? - perguntou meu pai
- Sim, otimamente bem - menti. Tinha sido uma noite horrível. Fiquei a noite inteira pensando se não havia um jeito de ficar ali - Depois que eu tomar café, vou descer pro salão de jogos, tá pai?
- O.K.! Mas presta atenção. Quero você aqui 12:30h para tomar banho. Você terá 30 min. Depois iremos de táxi até um restaurante perto do aeroporto e vamos almoçar. Entendeu?
- Sim, claro.
Tomei meu café, como se houvesse anos que eu não comia.
- Tô descendo.
- Não esquece em Kawe, 12:30h.
- Tá bem!
Fui correndo pro elevador. Quase afundei o botão. Quando a porta abriu, a Annie estava lá dentro.
- Bom dia Kawe.
- Bom dia amor.
- Amor? Você nunca me chamou assim.
- Chamei agora...
Caímos no riso.
Fomos correndo ao salão de jogos, sentamos em dois bancos no fundo e ficamos um tempo olhando um ao outro nos olhos sem dizer nada.
- Você vai hoje né? - disse a Annie
- Infelizmente sim.
- Por que infelizmente? - perguntou a Annie se fazendo de ingênua.
- Por nada, imagina. Eu só queria ficar com você mais um tempo.
- Ah, Kawe! Que lindo!
- KAWE, KAWEEEE! - ouvi a voz do meu pai desesperado pelo corredor.
- Estou aqui!
- Ufa, te achei! Vamos, rápido!
- Ir? Pra onde?
- Pro aeroporto.
- Mas são 10h.
- Errado, são 11h. Seu relógio ainda está atrasado. Mais isso não vem ao caso. O fato é que nosso voo estava marcado pra hora errada. As nossas passagens foram impressas erradas. Me ligaram agora avisando que o voo sai 13h. Não vai dar tempo.
- Tá pai, vai indo que eu já vou.
Meu pai ia saindo. Não havia percebido que a Annie estava ali.
- É melhor você ir Kawe.
- Tá, tchau! Até outro dia.
- Tchau. Pera aí mocinho. E meu beijo?
- Já tinha esquecido...
- AFF! Garotos.
A Annie me beijou desta vez como nunca havia feito antes. Talvez fizesse isso porque sabia que aquela poderia ser a última vez. Senti um tom de despedida.
Depois da parte 'melosa', subi e fui tomar banho. Saímos de casa bem atrasados. Meu pai já estava bufando.
Por sorte quando chegamos ao aeroporto, o voo estava atrasado. Olhei pro painel, como havia feito no Acre e li:

BRASÍLIA - DF / SÃO PAULO - SP (Atrasado) - 13:00/13:45.

Meu pai se acalmou e nós fomos a uma lanchonete...

Capítulo V - A confissão

...Eu te amo."
Naquela hora, eu não sabia o que fazer. Ninguém nunca havia me dito aquilo.
- Como?
- Desde que eu sobe que você gostava de mim, comecei a ver você como alguém maior do que um amigo.
- Mas você sabe que eu gosto de você a muito tempo. Por que não...
- Não namorei com você? Simples. Achava que éramos muito crianças pra isso. Quando fiquei pronta para te beijar pela primeira vez, soube que você iria para São Paulo. Então eu te beijei na sua despedida.
- É, eu lembro...
- Fica quieto!
- Está bem...
"Então meu pai chegou com as passagens, e eu sabia onde te encontrar por dois dias. Vim para este hotel, justamente para falar com você.
"Precisava falar que eu...
- Que eu te amo - interrompi a Annie. As palavras não aguentavam mais ficar na minha boca, precisava falar.
Mas a Annie não voltou o fio das palavras. Se aproximou de mim e eu senti novamente sua boca tocar a minha e nosso beijo desencadear.
Foi um beijo mais demorado do que o primeiro, portanto, na minha opinião, um pouco melhor, talvez porquê não tínhamos os 'seres' para nos perturbar.
- Então Kawe?! - Gostou?
- Não me faça perguntas idiotas e me beija de novo.
Nos beijamos outra vez, mas dessa vez a Annie me soltou, olhou em meus olhos e disse:
- Me promete que não ficará com nenhuma garota enquanto você estiver lá em Osasco?
Depois de hesitar um pouco, mesmo sem estar seguro, respondi:
- Prometo.
E ela me beijou novamente...

Capítulo IV - A hóspede inesperada

Logo que cheguei ao hotel, deixei minha mala no quarto e fui ao salão de jogos ver se eu saía daquele "mundinho chatinho"... Consegui achar uma máquina vazia. Sentei na poltrona e comecei a jogar.
De repente senti uma mão tapar meus olhos. Peguei na mão e percebi que eu conhecia de algum lugar.

- Quem é? - perguntei, sem ouvir resposta - Quem é?
- Não conhece a minha mão?
Pronto, reconheci logo pela voz...
- Annie?!
- Oi Kawe!
- O que você está fazendo aqui?
- Eu? Tô viajando.
- Viajando? Como...
- Como eu consegui grana?
Vou lhe explicar, sente aqui.

Fui sentar numa poltrona do lado da Annie e ela começou a dizer:
- Quando eu morava em Manaus, meu tio deu uma de esperto. Ele pediu dinheiro emprestado a meu pai, dizendo ter problemas de saúde.
- Isso deveria ter feito sua conta despencar, não?
"Bem, continuando... Era mentira, ele queria mesmo era tentar a vida em outro país. E conseguiu. Enquanto isso meu pai ficou desempregado.
"Meus pais arrumaram um emprego lá no Acre, e foi o jeito. A gente conseguia se manter, mas minha vontade, sempre foi uma viagem para cá.
"Agora meu 'titio' resolveu dar uma de bonzinho e me mandou as passagens e o dinheiro pra passar um tempo aqui."
- E por que você veio para cá, logo quando eu vim pra fazer a escala?
- Meu pai chegou um minuto depois que você partiu.
Nos mostrou as passagens e disse que eu e minha mãe, tínhamos cinco minutos para nos arrumar e preparar as malas.

"Eu e minha mãe fomos correndo para os quartos e jogamos tudo nas malas, trocamos de roupa e fomos para o carro terminar de nos arrumar.
"Chegamos no aeroporto faltando dois minutos para embarcar...
- Então, você veio no mesmo voo que eu?
"Cala a boca! Vim. Só que meu tio, pão duro como sempre, mandou passagens de 3ª classe. O voo foi horrível."
- E por que vocês vieram para este hotel?
"É que eu precisava te falar uma coisa. Você disse que viria para este hotel.
- O que você quer falar?
" Eu tinha que te encontrar, antes de você ir. Precisava te falar... Te falar que...

Capítulo III - O voo

Quando chegamos ao aeroporto faltavam apenas 15 minutos para o avião decolar. Olhei pro painel que estava bem a minha frente e li:

RIO BRANCO - AC / BRASÍLIA - DF (CONFIRMADO) 14:30

Olhei pro relógio do meu pai. Eram 14:20. Fiquei assustado com o tempo, então falei:
-Ei, seres de outro mundo, faltam dez minutos...
-Jura?! Não tinhamos percebido - respondeu minha mãe com um "que" de humor.
-Então, podemos ir? - perguntei como se ela não tivesse falado nada.
-Vamos
Fomos ao portão 10, fizemos o check in, e embarcamos no "maldito" avião.
Logo que entrei no avião, peguei minha passagem. Lá estava escrito:

RIO BRANCO - AC/ BRASÍLIA - DF - 14:30
1ª CLASSE - POLTRONA 6 F

Depois que li, dei mais uma olhada no avião e fui procurar a poltrona. Quando achei, vi que infelizmente meu pai havia comprado as passagens no mesmo trio de poltronas. Putz, será que já não bastava eles quererem me tirar daqui? - pensei
-Kawe, estava preocupado! Aonde você estava?
-Vindo pra cá. Agora estou aqui. - quando eu disse, vi meu pai ficar vermelho, nem sei por quê.
-Então senta.
-Tá...

"Senhores passageiros, por favor, queiram desligar os aparelhos eletrônicos e colocar os cintos de segurança, pois partiremos em segundos"

Ouvi uma voz suave e calma dizendo isso. Olhei e vi que era a aeromoça.
Depois que fomos autorizados a ligar os aparelhos eletrônicos, liguei meu mp3, e, ouvindo a música que me fazia lembrar a Annie, fui me distanciando cada vez mais daquele avião. Fui perdendo a consciência, ficando mais lerdo...
-Kawe? Kawe? Acorda! Chegamos! - ouvi meu pai dizer, ao mesmo tempo que me acordava.
-O quê? Já? Quanto tempo eu...
-Quanto tempo você dormiu? Quase nada. Só o voo inteiro.
-Sério pai?
-É sério.
-Aonde estamos?
-Brasília. Destrito Federal. E acho que você se esqueceu, mas a hora do seu celular deve estar errada.
-Por quê?
-Sinceramente menino... Você estuda pra que hein? O horário acreano é uma hora atrasado em relação aqui.
-Ah, certo. No hotel eu ajeito.
-Vamos descer então?
-É vamos.
Até que ficar no hotel trancado com eles não me pareceu pior do que sair de casa.
Mas o hotel não seria uma coisa tão ruim assim. Ele me reservava uma surpresa...

Capítulo II - A despedida

Aquele estava sendo o banho mais demorado da minha vida. Deixei a água escorrer no meu corpo até minha mãe me chamar:
-Kawe, você se afogou? - gritou ela num tom sarcástico
- Tá tudo bem?!

-Tá sim mãe.
-Então desce logo. Seu pai já está no carro. Você já está aí fazem duas horas.
Eu não havia percebido que fiquei tanto tempo tomando banho. Rapidamente desliguei o chuveiro. Antes deu começar a vestir a roupa ela falou novamente:
-DESCE LOGO!
-Tá mãe.
Quando eu desci, tinha um caminhão de mudança parado de fronte a minha casa, e meu pai no carro com meu tio - ele ia nos levar no aeroporto -, minha mãe falando com o motorista do caminhão e - quem eu mais esperava - o Leonardo, o Chris, o Junior, a Bárbara e a Annie. Todos os meus amigos ali, parados, me deu um conforto e ao mesmo tempo uma insegurança. Fui ao encontro deles e a Bárbara disse, enquanto a Annie ia para trás da minha casa:
-Oi Kawe! A Annie quer falar contigo, segue ela.

-O.K.! Então eu fui, segui a Annie, e quando cheguei atrás da minha casa, a vi encostada na parede.
-Oi Annie! A Bárbara disse que você queria falar comigo...
-Falar? Eu? - disse ela se aproximando mais de mim - Eu não quero falar...
-Não?!
-Não.
-Então o que você quer?
-Te beijar.

Ela não esperou resposta. Apenas senti sua boca tocando a minha e ela me beijando. Retribui.
Senti que passou-se um minuto, e ouvi vozes e risos. Abri os olhos e vi o Leonardo, o Chris, o Junior e a Bárbara, rindo e cantando em coro: "Tá namorando... Tá namorando..."
Soltei a Annie, comecei a rir e falei:
-Acho que não dá pra namorar quando se vai pro outro lado do país, né? - Falei controlando o riso.
-Talvez não! - disse o Chris
-Promete que vai ficar OnLine todos os fins de semana? - perguntou o Junior

-Prometo.
-Então tchau! - disse a Bárbara

Todos nós fizemos uma corrente de abraços, eu tentando abraçar todos ao mesmo tempo e vice-versa.
-Tchau! - disse a Annie. Logo depois de falar ela se aproximou de mim e me deu um beijinho no rosto.
-Tchau pessoal! Espero que um dia nos reencontremos.
-Nós iremos. - ouvi o Léo dizer.
Fui pra frente da casa e entrei no carro. Logo que entrei minha mãe me perguntou:
-O que eles queriam? -Ah... hum... bem... nada... bem... só... queriam se despedir.
-Hum hum. Sei. Você pensa que eu não te vi indo com a Annie lá pra trás não é?
-Talvez pense que não! - respondi rindo.
-Hum... Abra o olho hein menino... A viagem pro aeroporto foi bem chata, e eu não esperava que mudasse no avião...

Capítulo I - O começo do fim

Eu estava no meu quarto, arrumando minha bagagem para viajar, afinal faltavam quatro horas para eu embarcar naquele maldito avião, quando minha mãe gritou:
-Kawe! Vem tomar café! Agora!
-Já estou indo mãe...!
Então, desliguei o meu mp3, e desci, de má vontade, pois não queria que aquela hora chegasse. -Bença pai. Bença mãe. - disse logo que coloquei o pé na sala.
- Deus te abençõe. -Responderam em coro.
Meus pais pareciam estar felizes com a nossa partida, minha mãe com um largo sorriso, meu pai com um raríssimo bom humor. Mas a minha casa estava completamente desmobiliada , com um ar sem vida. A casa que eu vivi durante 15 anos, estar assim, sem nada, apenas com uma mesa, três cadeiras, e o eco de nossas vozes no vazio me parecia muito estranho.
-Que foi, Kawe? - ouvi meu pai perguntar, mas não respondi.
-Eu estou falando com você! - disse elevando a voz, mas não no sentido de se irritar, mas no sentido de me acordar
- Terra chamando Kawe - completou.

-Ah... o quê... desculpe... não... não houve nada...
- Te conheço, fala!
-Nada... eu só queria... ah... bem... eu só queria... ficar aqui...
- Já conversamos sobre isso não é meu filho? Você não pode ficar aqui sozinho...
- É foi... Pai, será que eu poderia subir e terminar de arrumar minhas coisas?
- O.k.,mas leva o seu suco.
-Tá bem!
Quando cheguei na porta do meu quarto, peguei meu mp3, e me joguei num canto e comecei a lembrar de algumas coisas ali... Tudo passou na minha cabeça: Meu primeiro beijo, minha primeira briga, eu e meus amigos brincando na rua, uma nota zero em matemática, discussões bobas com o Leonardo...
A música do mp3 acabou, e voltei a mente pro meu quarto e notei que havia uma lágrima no meu rosto; enxuguei a lágrima com aquele risinho pós choro, terminei de arrumar minhas coisas, e fui tomar um banho...

Introdução

Bom, meu nome é Kawe Felipp, tenho 15 anos e moro em Rio Branco, Acre. Acabei a 8ª série a pouco e não vejo a hora de ir para o 1º ano, porém vou me mudar. O trabalho do meu pai o mandou para São Paulo e é pra lá que eu vou, obrigado, contra minha vontade. Tenho medo de não me adaptar... Meus amigos estão aqui, minha vida está aqui... Mas, como não tem jeito, a solução é enfrentar...